Nutrição antes e depois da cirurgia oncológica: o que esperar
Quando a cirurgia é marcada, as perguntas sobre alimentação chegam quase junto com a data. “Será que estou fraco demais para operar?” “Preciso comer diferente agora?” “E depois, o que posso comer?”
Essas dúvidas aparecem com frequência no consultório e são importantes. A alimentação merece atenção tanto no preparo para a cirurgia quanto no período de recuperação. Vamos entender o que pode fazer diferença em cada etapa.
Por que a nutrição entra nessa conversa
A cirurgia exige bastante do organismo, que precisa de energia e proteínas para cicatrizar, defender-se e se recuperar. Por isso, a desnutrição e a perda de peso antes da operação são consideradas fatores de risco para complicações no pós-operatório.
Isso não significa que todo paciente chegue à cirurgia com a nutrição comprometida. Significa que vale olhar para esse tema antes, e não só depois.
Antes da cirurgia: o que costuma ser avaliado
O primeiro passo é saber como você está. As recomendações de nutrição clínica orientam a identificação do risco nutricional em todo paciente que vai passar por uma cirurgia. Quando necessário, a avaliação inclui também a força e a massa muscular.
Na prática, isso inclui observar:
- Perda de peso recente e há quanto tempo ela vem acontecendo;
- Apetite e quantidade de alimentos que você vem consumindo;
- Sintomas que atrapalham a alimentação, como náusea, saciedade precoce ou dificuldade para engolir;
- Massa muscular e força, quando possível avaliar.
Quando há risco nutricional importante, o suporte nutricional pode ser iniciado antes da operação. Esse suporte pode incluir desde orientações alimentares individualizadas até suplementos orais, conforme a necessidade.
Nem sempre é necessário ganhar peso antes da cirurgia. O mais importante é identificar se existe perda de peso, ingestão insuficiente ou perda de massa muscular e entender o que pode ser melhorado até a operação. A estratégia depende da condição nutricional e do tempo disponível para o preparo.
Em algumas situações, especialmente em determinados procedimentos cirúrgicos de grande porte, a equipe pode considerar a imunonutrição. São fórmulas que contêm nutrientes específicos, utilizadas conforme o tipo de cirurgia e a condição clínica e nutricional do paciente. Não são indicadas indiscriminadamente e devem ser prescritas pela equipe responsável.
Depois da cirurgia: voltar a comer, no seu ritmo
Sempre que possível e seguro, a alimentação pela boca deve ser retomada precocemente, conforme a liberação da equipe, a tolerância de cada pessoa e o tipo de cirurgia realizada.
Permanecer por muito tempo com uma ingestão abaixo do necessário pode prejudicar a recuperação nutricional. Por isso, acompanhar a aceitação alimentar desde os primeiros dias é importante.
Na prática, o retorno costuma ser gradual e pode envolver:
- Porções menores e mais frequentes: em vez de poucas refeições grandes, especialmente quando o apetite ainda está reduzido;
- Texturas adaptadas: em alguns casos, pode ser necessário começar com preparações mais leves ou de consistência modificada. Em outros, a alimentação habitual pode ser retomada mais rapidamente, conforme a liberação da equipe;
- Atenção à ingestão de proteínas: importantes para a cicatrização e a manutenção da massa muscular;
- Hidratação adequada: respeitando as orientações da equipe de saúde;
- Movimentação precoce: quando liberada, ajuda a preservar a funcionalidade e a massa muscular durante a recuperação.
Se, mesmo com ajustes, a alimentação por boca não estiver suficiente, a equipe pode indicar suplementos orais ou, em situações específicas, outras formas de suporte nutricional. A necessidade e o tipo de suporte dependem de cada situação e devem ser definidos pela equipe.
E se o apetite não voltar logo?
Isso pode acontecer. Dor, mudanças no funcionamento do intestino, cansaço, medicamentos e até a ansiedade podem reduzir a vontade de comer nos primeiros dias.
Não é falta de esforço. O mais importante é avisar a equipe e a nutricionista se você estiver comendo muito pouco, mesmo que ainda não tenha percebido perda de peso. Não é necessário esperar vários dias para comunicar essa dificuldade.
Quanto antes a situação é identificada, mais cedo podem ser feitos os ajustes necessários.
Cirurgia faz parte de um tratamento maior
Para muitos pacientes, a cirurgia é apenas uma das etapas do tratamento. Pode haver necessidade de quimioterapia ou radioterapia antes ou depois do procedimento.
Por isso, o cuidado nutricional não deve terminar com a alta hospitalar. Acompanhar a alimentação, o peso e a massa muscular ao longo do tratamento continua sendo importante. As recomendações de nutrição em oncologia reforçam a necessidade de acompanhamento nutricional durante as diferentes etapas do tratamento do câncer.
Resumindo
- Converse sobre nutrição antes da cirurgia, não só depois;
- O risco nutricional deve ser identificado em todo paciente que vai operar;
- Perda de peso, ingestão insuficiente e perda de massa muscular merecem atenção;
- No pós-operatório, a alimentação costuma ser retomada precocemente, de forma gradual e conforme a tolerância;
- Cada caso é único: o plano alimentar precisa considerar o tipo de cirurgia e as necessidades de cada pessoa.
Posso ajudar?
Se você ou alguém da sua família vai passar por uma cirurgia oncológica, o acompanhamento nutricional pode ajudar a avaliar suas necessidades e orientar a alimentação antes e depois do procedimento.
Sou nutricionista com mais de 15 anos de experiência clínica em oncologia, com formação também em nutrição funcional.Para agendar uma consulta: Whatsapp da Clinica CACV. Atendo presencialmente em São José do Rio Preto — SP e online para todo o Brasil.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação da sua equipe de saúde.
Referências
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- Arends J, Bachmann P, Baracos V, Barthelemy N, Bertz H, Bozzetti F, et al. ESPEN guidelines on nutrition in cancer patients. Clin Nutr. 2017;36(1):11-48. doi:10.1016/j.clnu.2016.07.015.
- Muscaritoli M, Arends J, Bachmann P, Baracos V, Barthelemy N, Bertz H, et al. ESPEN practical guideline: Clinical Nutrition in cancer. Clin Nutr. 2021;40(5):2898-2913. doi:10.1016/j.clnu.2021.02.005.

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